87,7% DOS METALÚRGICOS DIZEM NÃO PARA PROPOSTA DA ARCELORMITTAL TUBARÃO
A insatisfação dos metalúrgicos da ArcelorMittal Tubarão com a proposta da empresa para o novo Acordo Coletivo de Trabalho ficou evidente nas urnas: 87,7% dos trabalhadores rejeitaram o que foi apresentado. Foi uma resposta firme contra uma tentativa de negociação que não valoriza quem garante a produção, a qualidade e o lucro da siderúrgica todos os dias.
A ArcelorMittal Tubarão propôs apenas 2% de reajuste em outubro e 3,10% em janeiro de 2026 para os salários e todas as cláusulas econômicas, índices que apenas repõem a inflação do período (INPC), sem recuperar o poder de compra e muito menos enfrentar a defasagem salarial superior a 15% que atinge os metalúrgicos. Além disso, a empresa tentou retirar o adiantamento do PAR, atacando diretamente o orçamento dos trabalhadores.
Tudo isso vindo de uma empresa que tem plena capacidade de fazer diferente. Nos nove primeiros meses deste ano, a ArcelorMittal lucrou 3 bilhões de dólares, valor que representa três vezes mais do que a siderúrgica lucrou em 2023 e o dobro de 2024 e 90% desse lucro é oriundo da produção da unidade de Tubarão. Ou seja: não falta dinheiro. Falta respeito.
Como afirmou Fábio Piontkwski, diretor do Sindimetal-ES: “Esse resultado expressivo na votação não deixa dúvidas: os trabalhadores estão cansados de serem desrespeitados. É vergonhoso que uma empresa que lucra bilhões tente empurrar um acordo que mal repõe a inflação e ainda retira direitos. A votação deixa claro que existe um limite e esse limite foi ultrapassado. Agora, cabe à ArcelorMittal entender o recado: não dá mais para atacar a dignidade de quem sustenta seus lucros. É hora de negociar de verdade, com respeito e valorização.”

