NÃO PODEMOS ACEITAR: BLINDAGEM, ANISTIA E O SILÊNCIO SOBRE OS DIREITOS DOS TRABALHADORES

Não é possível aceitar que o Congresso Nacional continue colocando em pauta medidas que só atendem aos seus próprios interesses e à manutenção de privilégios, enquanto as demandas urgentes do povo trabalhador seguem ignoradas.

Neste momento, vemos avançar a chamada PEC da Blindagem e a proposta de Anistia aos golpistas, enquanto a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da exaustiva escala 6×1 seguem fora das prioridades legislativas. É preciso denunciar, resistir e mobilizar, porque está em jogo o futuro da democracia e da dignidade do trabalho no Brasil.

A PEC da Blindagem, como ficou conhecida, cria um verdadeiro escudo para deputados e senadores. Se aprovada, qualquer investigação ou processo contra parlamentares dependerá de autorização prévia do próprio Congresso. Isso significa, na prática, blindar quem deveria prestar contas à Justiça. É um mecanismo para consolidar privilégios e institucionalizar a impunidade, afastando ainda mais o poder político da fiscalização e da vontade popular.

Tramita também a proposta de Anistia aos golpistas que pretende apagar os crimes cometidos por aqueles que atentaram contra a democracia, organizaram e participaram de atos antidemocráticos, golpistas e criminosos. É como se o Congresso dissesse ao país que atacar as instituições é permitido, que a democracia pode ser desrespeitada sem consequências. Essa anistia não é apenas um equívoco jurídico — é um tapa na cara do povo que resistiu, que lutou, que defendeu o Brasil contra o retrocesso autoritário.

Enquanto essas propostas escandalosas avançam, duas pautas centrais para os trabalhadores seguem ignoradas. A primeira é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Essa medida faria uma diferença real no bolso da classe trabalhadora, aliviando a pesada carga tributária que recai sobre quem menos tem condições de pagar.

Outra pauta é o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos para ter apenas um dia de descanso. Essa jornada é desumana, compromete a saúde física e mental, prejudica a vida social e familiar e aprofunda o desgaste daqueles que já vivem sob forte pressão no ambiente de trabalho. Mas, mais uma vez, o tema não entra em discussão.

Essa inversão de prioridades é um retrato fiel do distanciamento de muitos parlamentares em relação à vida real do povo brasileiro. Enquanto o trabalhador luta para sobreviver, pagar as contas e preservar a saúde, o Congresso discute como proteger os próprios privilégios. Isso é inadmissível. Em contrapartida, precisamos reconhecer e apoiar os parlamentares que sim, estão ao lado da classe trabalhadora e dos verdadeiros anseios da sociedade como um todo.

Não podemos permitir que blindagem e anistia avancem em silêncio, enquanto os direitos mais básicos são empurrados para escanteio. E deixo aqui um alerta: em 2026 teremos eleições. Os trabalhadores e trabalhadoras precisam estar atentos. É hora de lembrar quem defendeu a blindagem, quem apoiou a anistia, quem ignorou as pautas populares. Precisamos eleger representantes comprometidos com a democracia, com o trabalho, com o futuro do Brasil.

O Sindimetal-ES reafirma o seu compromisso: estaremos na linha de frente contra a institucionalização da impunidade e dos privilégios, e ao lado dos trabalhadores na luta por respeito, dignidade e justiça. Juntos somos mais fortes!


Por Max Célio de Carvalho – presidente do Sindimetal-ES

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